O caminho de volta

Encontrei esse texto no Facebook e ele valeu a leitura.

Talvez de forma menos extremista e utópica, precisamos tomar esse caminho de volta – antes que não hajam mais retornos. Parei para refletir nos planos, nas estradas trilhadas, nos companheiros de viagem, nas paradas…E como tudo isso muda de um ano para o outro, de uma hora para a outra. Quem permanece somos nós, nosso caminho e nossa história. Quando entendemos que a vida por aqui é passageira, mas eterna, e que nossa semente de hoje pode frutificar amanhã ou daqui a 30 anos, a geração Y do “agora” não faz mais sentido.

A vida é eterna, não acaba aqui! E é na escolha destes caminhos que direcionamos como será a nossa eternidade…

O caminho de volta 

Já estou voltando. Só tenho 37 anos e já estou fazendo o caminho de volta. Até o ano passado eu ainda estava indo. Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda.

Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras. Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!

Mas, com quase quarenta, eu estava chegando lá. Onde mesmo? No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra “fim”. Antes dela, avistei a placa de “retorno” e nela mesmo dei meia volta.

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo). É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe.

Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo. E não é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram quatro vezes em quatro anos), agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta, eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove, a Internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz “a internet voltou!” já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook, o Twitter e o Orkut juntos.

Aqui se chama “aldeia” e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama. No São João, assamos milho na fogueira. Aos domingos, converso com os vizinhos. Nas segundas, vou trabalhar, contando as horas para voltar.

Aí eu me lembro da placa “retorno” e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: “retorno – última chance de você salvar sua vida!” Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: “Compre um e leve dois”. Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta.

Téta Barbosa é jornalista, publicitária e mora no Recife. 
Enviada por: Suelen Caroline Block

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3 comentários sobre “O caminho de volta

  1. Fico surpresa como Deus usa os meios mais inusitados para falar conosco. Esse texto era exatamente o que eu precisava nesse momento. :)
    Seu blog é muito abençoado. Conheci há poucas semanas mas já me apeguei num tanto, rsrs!

    bjos

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    1. Daniella! Glória a Deus! Fico muito feliz em, mesmo sem saber, ser um canal de benção! Seja sempre bem vinda hehe Beijão, Deus abençoe!!!

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